Avulso: Sereia

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Quando criança, ela deitava-se na areia, cantarolando e permitindo o mar vir e ir sobre o seu corpo, até que chegasse a hora de sua mãe chamar-lhe e seu pai recolher o guarda-sol. Então a menina resmungava que não poderia viver longe da água salgada.

— Não seja manhosa, já está tarde! Você não é uma sereia. — Sua mãe falava.

Se ela não poderia ser uma sereia, poderia ser uma astronauta, entrando em caixas pela casa, andando com um capacete improvisado.

— Não, sério, o que você quer ser? — Os adultos perguntavam-lhe.

Uma estrela. Uma poetisa. Uma heroína. Não ser nada era uma opção? Não era, descobriu.

Os professores falavam que ela era boa em ciências. Talvez uma inventora? Seu nome entraria para a história, ganharia um prêmio. Mas apesar de tudo isso, a vida escolheu que ela seria uma dona de casa. Amava sua família, mesmo que às vezes — bem, várias vezes — se sentisse solitária.

Solidão esta que cresceu quando seus filhos, agora adultos, saíram de casa. Piorou, quando ela esqueceu onde moravam, seus nomes, até mesmo quantos eram. Onde mesmo guardava a receita dos remédios?

Mas não estranhou quando a levaram para viajar e uma garotinha desconhecida, chamando-lhe de vó, segurou sua mão e conduziu-lhe até a beira do mar.

Quando a água tocou-a, finalmente esqueceu do que sua mãe havia lhe dito. Esqueceu-se de que não era uma sereia.

Sentiu a familiar água salgada em sua cauda, apreciou o querido Sol de verão em sua pele anfíbia e deixou-se levar pelo mar.

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